Declaração de Anterioridade da
descoberta científica e originalidade
DECLARAÇÃO DE ANTERIORIDADE E AUTORIA INTELECTUAL
Declarante: Hugo Santarem Rodrigues
1. OBJETIVO
Esta declaração tem por finalidade:
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Comprovar a prioridade temporal e autoria intelectual exclusiva de Hugo Santarem Rodrigues sobre as hipóteses, teses e conclusões descritas neste documento, desenvolvidas em pesquisa independente iniciada em 2004.
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Adicionar informações pertinentes que não constam na Declaração de Anterioridade e Autoria Intelectual assinada digitalmente em 30/04/2025.
2. RESUMO DO RESULTADO DA PESQUISA. DESCOBERTAS E CONCLUSÕES.
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Origem do Bumba Meu Boi:
A partir da descoberta, no museu Kerala Folklore Museum de Cochim, do tradicional festival de Khumba Bharani, que utiliza bois gigantes em suas festividades, identifiquei as conexões entre os festivais que celebram “bois” no Brasil com a adoração ao boi nas religiões hindu e nos festivais folclóricos indianos. Nas visitas aos Khumbas, perguntando por origens mais antigas dessas manifestações, encontrei o Kaalai Attam e Eruthukali que é a origem do bumba-meu-boi brasileiro. Para ver a performance desse folclore eu viajei a Chennai para conversar com um grupo de arte folclórica (Milton Fernando) e ir ao Museu Dakshina Chitra Heritage Museum de Chennai para apresentação de um grupo de Kaalai Attam.
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Etimologia de Maracatu:
A partir da origem etimológica de “jangada” e “pagode”, que são tâmil, e das evidências que as manifestações culturais relacionadas ao maracatu têm origem de portugueses que vieram ao Brasil mas antes tiveram passagem na Índia Portuguesa e profunda vivência no Oriente, e também que indianos foram trazidos ao Brasil para o ensino de cultivo de especiarias, pesquisei palavras semelhantes a sonoridade de Maracatu. Com a ajuda do fotógrafo Krishna Kirin ele me diz a origem da palavra Macaratu e em entrevista concedida por Lakshmi Thyagarakan e Danush no Dakshina Chitra Heritage Museum de Chennai eles confirmam o significado de Maracatu, மறக்காது - Maṟakkātu - “Não vou esquecer”, que possui variações em outras línguas de raíz Tamil e dravídica como em Malaiala: marakkaruthu - Não esquecer; e conjugações de sonoridade semelhante: Tamil: மறக்காதே - Maṟakkātē - Não se esqueça.
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Festas de cultivo, festas juninas, tradições rurais:
Sabendo que indianos foram para o Brasil para o ensino de cultivo de especiarias e utilização do coco e que as festas juninas são originalmente festas de celebração de colheita e agradecimento religioso faço uma conexão entre essas simbologias, incluindo o Maracatu, as bandeiras juninas, os balões do vesak, o Shigmo.
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Dança do Maracatu: O maracatu usa uma simbologia que não tem significado ancestral com o Brasil, como o cravo na boca, o chapéu com pena de pavão, e o chapéu de caboclo e todos esses elementos ou têm origem indiana ou se assemelham ao Pookavadi e Kavadiyattam que fazem parte do Festival Thaipooyam e o significado é a luta e vitória do bem contra o mal utilizando uma lança, o que explicaria o caboclo de lança.
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Carnaval; Entrudo; e o Shigmo:
O carnaval no Brasil se chamava entrudo antes de sua proibição. A partir da minha redescoberta de livros antigos como FESTAS E TRADIÇÕES POPULARES DO BRASIL, de Melo Morais Filho e LIFE IN BRAZIL, de Thomas Ewbank, provam que a suposição de que o Entrudo brasileiro vinha da Índia já era há muito tempo considerado. No site da Cidade das Artes do Rio de Janeiro diz que o Entrudo foi possivelmente trazido pelos Portugueses da Índia. Em GOA descobri uma festa hindu cujo nome é Intruz e essa festa era celebrada mesmo durante a Índia Portuguesa; sua prática era uma variação do festival Holi e é celebrada durante o festival Shigmo, que é no mesmo período do Carnaval Português. A dança do Shigmo com cavalo é chamada de Ghode Modini (podendo ser traduzida como “dança do cavalo”) e comparo à estética das fotos antigas de Bumba feitas por Gautherot. Uma dança semelhante do Rajastão é chamada de Kachchhi Ghodi e na explicação do significado de Ghodi, no verbete do wikipedia diz “A mare is an adult female horse or other equine” o que explica a Burrinha do Maracatu.
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Apagamento e recolonização do Brasil.
Pesquisando como essa história pode ter sido apagada e esquecida eu busquei por menções negativas e positivas a respeito do Entrudo e vi que autores como Machado de Assis criaram contos positivos sobre o Entrudo, mas encontrei Jornais como O Paiz e Boletim de Eugenia promovendo a proibição do Entrudo.
O Entrudo foi violentamente proibido no Brasil pela República, a mesma República que deu um Golpe de Estado e alterou a História do Brasil para criar uma visão positiva de si. Percebi que havia um viés historiográfico em criar uma visão negativa de todo período pré-república, mas o motivo disso é que o movimento de imigração em massa que ocorreu no Brasil, de 1889 a 1930 fez parte do mesmo movimento mundial de colonização da África e Ásia e que nossa historiografia foi alterada para justificar essa “imigração”. Para isso faço uma comparação das companhias colonizadoras brasileiras que eram responsáveis pela imigração às companhias colonizadoras em África e Ásia; a lei de torrens que estatizou todas as terras devolutas no Brasil e a utilização da lei de torrens para desapropriação de terras de indígenas em África e Ásia; as leis raciais de imigração com base no Boletim de Eugenia e Revista de Imigração e Colonização. Comparo aos Planos da Central de Immigração da qual um dos diretores era André Rebouças somado à conclusão do relatório “O Brasil e os Estados Unidos na questão da immigração. Conferencia effectuada na augusta presença de sua magestade o Imperador em o dia 16 de dezembro de 1883” e descubro que os planos do regime derrotado era totalmente contrário ao plano da República de imigração em massa, com isso aponto o golpe da República a outra perspectiva e essa perspectiva é ignorada ou alterada porque o Brasil formou uma nova elite que se beneficiou dessa nova colonização, que foram os “imigrantes”, republicanos, donos de terra e construtoras. Entre as construtoras que vieram para recolonizar o Brasil estava a Sociedade Colonizadora Hanseática com o trabalho de Emil Odebrecht. Comparo assim o pensamento e trajetória de Rebouças e Odebrecht para diferenciar imigração de colonização.
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Historiografia pré-república e pós-república.
Ao viajar para Etiópia tive conhecimento da história de Preste João a partir da voz do meu próprio guia. A visão positiva que ele deu sobre os Portugueses me impressionou. Comparei a visão dele com o erro historiografico do Livro Escravidão de Laurentino Gomes que aponta um viés contínuo de “erros” que corroboram o viés negativo sobre as origens brasileiras. Comprovo isso a partir do “Como se deve escrever a História do Brasil” de “Von Martius”, ganhador do concurso do IHGB em 1840 em que explicitava a importância das relações com Etiópia e Abissínia, também ele fala que os indígenas deveriam ter uma civilização superior e a busca disso deveria motivar historiadores. A história de Preste João é citada brevemente também no livro de 1901, História do Brasil, de João Ribeiro, logo após a proclamação da República. Outro erro crucial que me chama a atenção é a tese de “branqueamento” a partir da miscigenação que é uma tese sempre levantada por Lilia Schwarcz e que ela utiliza o quadro Redenção de Cam de Modesto Brocos, e que foi utilizado por João Baptisda de Lacerda no Primeiro Congresso Universal das Raças, como forma de comprovar uma defesa da mestiçagem apontada por Lacerda nesse Congresso e que a imigração seria para isso; Mas ao pesquisar o conteúdo original do texto de Lacerda ele afirma que os italianos e alemães que são mais racistas e que a miscigenação está se dando através de portugueses, italianos e espanhóis, além disso defende que o resultado da miscigenação não trás maleficios como muitos acreditam e que justificam a segregação racial nos EUA e na África do Sul, além do fato do Congresso ter sido uma reunião anti-racista e lembrado como o primeiro evento com esse intuito no mundo, visão totalmente contrária a que Lilia aponta em suas análises. A partir desses “erros históricos” e desse “viés historiográfico” comprovo que a historiografia brasileira, capitaneada pela USP, foi alterada para justificar a imigração e não participar dos esforços mundiais de descolonização após a Segunda Guerra Mundial, desde a criação da USP em resposta a Vargas e suas leis pró-brasileiros ao contraponto que Florestan Fernandes cria ao trabalho de Gilberto Freyre. A idéia de que Gilberto Freyre é atacado por causa de uma atenuação das relações raciais por conta de um suposto mito de “democracia racial” é errôneo, e na verdade Freyre aponta em seu trabalho para um perigo nazista e ideias arianistas. Assim como Freyre, todos que discutiram essas relações receberam sua própria “lenda negra”. Essa reescrita da nossa historiografia começa com Benjamin Constant e sua reformulação da Escola Normal e o ensino republicano após o golpe de 1889, uma historiografia pró-república, pró-recolonização, pró-imigrante, baseada nas treis leis do Positivismo, e pelo darwinismo de Spencer admirado por Marechal Deodoro. O período da primeira República, de 1889 a 1930 é um período extremamente violento e autoritário que permitiu a recolonização do Brasil e a historiografia criou diversos eufemismos como “República da Espada”, “Coronelismo”, “Voto de Cabresto”, e também “imigração”, porque a imigração e a República criou uma nova elite, protegida por uma nova classe média. Com isso, o Brasil talvez seja o único país do mundo que não passou por um processo de descolonização, e com o avanço das pesquisas e discursos decoloniais no mundo os historiadores brasileiros deslocaram nossa colonização somente para o período português e como extensão para o período do Império do Brasil, criando uma visão negativa das origens brasileiras, um defeito de fundação que se desloca entre o indígena, o africano e o português, a depender da necessidade de discurso dos novos colonizadores. A comprovação da tese é feita a partir da análise das obras de acadêmicos “decolonizadores” brasileiros como Laurentino Gomes, Lilia Schwarcz, Leandro Karnal, “Parla”, Mary Del Priore, Rita Von Junty, e como a ascendência da família desses acadêmicos pode ajudar a criar um viés colonizador imigrantista.
3. COMPROVAÇÃO DE ANTERIORIDADE
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Diante da fragilidade de mecanismos legais para salvaguardar pesquisas interdisciplinares, que integram arte e academia, em um contexto independente, adotaram-se medidas formais de comprovação de anterioridade:
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2025 - Novos Registros de marcas e neologismo no INPI:
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INDO-ARMORIAL
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A Recolonização do Brasil
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Mito da Imigração
4. DECLARAÇÕES LEGAIS
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Originalidade: As ideias e descobertas aqui descritas são originais e não plagiadas, sob pena de responsabilização por má-fé.
4. ASSINATURAS E RECONHECIMENTO
Declarante:
Hugo Santarem Rodrigues